Na virada foi só comemoração mas, como já aconteceu em anos anteriores, choveu no reveillon, choveu muito, choveu ainda mais forte do que no passado recente. O sistema de águas atingiu em cheio o sul do Rio de Janeiro e acabou sobrando prá nós aqui no vale do Paraíba, sul de Minas e serra do mar, Cunha e São Luiz do Paraitinga.
Calamidade pública em vários lugares, mais de 50 mortos na região, 6 só em Cunha, passamos a virada do ano aqui em Aparecida, chuva no dia 1o., plano de ir para o sítio quase não funcionou até que soubemos das notícias ruins sobre a enchente do Jacuí e saímos em caravana pela estrada por entre os vários deslizamentos de terra e pontes quase caindo. Povo doido, nem cogitamos o plano de ir só os homens e deixar as mulheres e crianças. Coisa muito perigosa, enchemos os carros, pegamos as correntes e fomos.
Nosso sítio fica numa baixada que acaba sendo a única saída baixa do rio Jacuí, local onde os morros não contém as águas de cheias desse tipo. Não deu outra. Com tanta água vindo das cabeceiras, o alagamento foi geral subindo mais de 5 metros desde o leito normal do rio.
Quando as águas começaram a baixar, a paisagem mudou, muita areia se juntou em parte onde antes era pasto, ficou parecendo cenário de praia depois da tempestade.
Árvores menores foram varridas, sorte, as maiores resistiram.
O leito normal do rio foi alargado, barrancos foram arrancados à força.
A cachoeira do Beleza virou isso.
Mas criou praias até que boas. Pena é que o rio vai voltar ao leito normal e tudo isso vai ser coberto de mato novamente.
Nesse trecho formou-se uma represa natural, mas dá prá ver que o rio vai continuar procurando um caminho mais curto.
Entre uma inspeção e outra, uma pausa para Bólis e Dítis.
Até onde chegou o nível das águas.
R., quando voltar por aqui, vai tomar um susto com o estado que ficou seu casebre.


E depois que a água baixou, sabendo que não adianta muito lamentar, só nos restou relaxar e tentar se divertir um pouco nesse início molhado de 2010.
É claro que as crianças não perderiam a oportunidade de afundar o pé no barro e depois lavar num dos poços dágua.
Ufa! Realmente ninguém é de ferro. Apesar de tudo, o calor não deixou de sufocar e aí, meu camarada, só mesmo um refresco no rio e aproveitar a sombra.

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O primeiro contato com o alagamento
Até onde a água chegou transformando o brejo numa extensão do rio, quase igual a uma represa como a gente tanto sonhou. Até brincamos com a Luzia dizendo que, agora, ela tinha a represa que tanto queria.
Povo doido prá ver como estava a igrejinha, se a água tinha encoberto tudo ou só a metade, como estavam os santos, agitaram, deram corda e resolvemos colocar a piscina de fibra para servir de barco. Preto, claro, foi o primeiro e embarcar.
Refazendo um pedaço de cerca perto do local onde a gente faz churrasco, as pedras ainda submersas, Dirceu até achou que o local tinha se acabado, rio ainda bem largo, todas as margens varridas e um pedaço de mata ciliar que virou beira de rio.
Cachoeira do Beleza (seu Vicente) totalmente descaracterizada, areia nas margens virou praia, quase todas as pedras ainda submersas, margens alargadas e o rio roncando, bravo, indomável.