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09 janeiro 2010

Galinhas caipiras são mais felizes

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Final de semana meio atípico, não fomos para o sítio para poder ir prestigiar o aniversário da dona Rosina na Vila Mariana. Recentemente tenho tentado usar esse tipo de referência para que as nossas crianças aprendam que, sempre nesses casos, o importante é a participação para prestigiar o aniversariante e nunca, a busca de prazer e divertimento pessoal. É claro que, quando se pode aliar os dois, fica melhor ainda. E hoje parece que vai dar certo.

Sábado ensolarado e quente, vendo TV durante o café, vi esse título e resolvi usá-lo nesse post.

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No sítio temos muitas galinhas, todas caipiras e muito felizes. Como já disse algumas vezes, é um dos meus maiores prazeres poder curtir a galinhada livre pelo terreno, ciscando, comendo, ensinando os pintinhos, correndo uma atrás da outra para roubar um petisco, os galinhos treinando briga de mentirinha, quando o sol esquenta, deitam-se debaixo dos pés de azaléias, tomam água no córrego, atravessam a rua e vão botar ovos no mato, nas margens da represa, atrás do bambuzal, na beira do brejo.

Nunca se aproximam muito da gente, mas têm umas que acabam ficando bem sem vergonha e chegam mais perto. Tem o Fred que se acostumou a ver a gente ir buscar ração para Bólis e Dítis e sempre vem atrás em busca de alguns grãos. Com jeitinho ele vem comer na palma da mão da gente com suas bicadas fortes e certeiras.

Já conversamos sobre pinteiros, separar os pintinhos das galinhas para aumentar a produção mas, no final, acabamos por deixá-los todos soltos mesmo. Umas das cenas mais alegres do lugar é ver uma galinha ciscando e pastando com uma renca de pintinhos novos. Eles ficam em volta, ela cisca, finge que bica alguma coisa na terra ciscada e eles a imitam procurando bichinos na palha. E assim vão aprendendo como sobreviver sozinhos. Com o passar do tempo eles logo se desgarram da mãe mas, por um bom tempo ainda, vão continuar andando com o mesmo grupo de irmãos. E a galinha vai partir para outra ovação e mais uma renca de pintinhos virá.

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Assim são elas, acordam bem cedinho mas também vão dormir bem cedo. Fizemos um galinheiro confortável e seguro mas não adiantou muito – a maioria delas prefere dormir empoleirada nas árvores em volta. São barulhentas e reagem escandalosas ao menor perigo ou quando botam um ovo. Botou um ovo, lá vai o Dudu verificar.

Onde tem galinha, cobra e outros bichos rastejantes não dão bobeira. Por isso nosso gramado está sempre limpo e, assim, vão vivendo suas vidinhas felizes sem demonstrarem que nos reconhecem. Parece que água, milho e liberdade para ciscar, pastar, botar e criar seus pintinhos é tudo que elas querem. Que assim seja.

04 maio 2009

A Veja, Roberto Pompeu e o outro lado de todos nós

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Toda Sexta-feira a gente leva a Veja da semana para ler no sítio. Eu mesmo a leio quase toda durante a semana, mas acho legal compartilhar com as outras pessoas que também se interessam. Gostoso mesmo é sentar na varanda com os pés bem agasalhados para não congelarem e ler um ou outro artigo ouvindo aqui e ali o canto frenético dos passarinhos e os beija-flores perseguindo um ao outro. Isso, de vez em quando, tira a atenção da gente mas ainda assim é um momento muito bom para relaxar.

Na última página da revista tem a coluna do Roberto Pompeu de Toledo, na minha opinião, uma das melhores coisas da revista. Pena que agora ele está escrevendo em semanas alternadas, dividindo o espaço com outro colunista que, me desculpe, ainda não conseguiu me cativar.

Nessa semana achei excelente o texto sobre como as pessoas, por trás das aparências, podem revelar outra surpreendente e espetacular, completamente diferente da que se vê só com os olhos. Compare-se as histórias de Fernando Lugo – ex-bispo Don Juan Presidente do Paraguai, Jacob Zuma – o polígamo Presidente da África do Sul e Susan Boyle, “a senhora simplona, de corpo maltratado, desajeitada, malvestida e mal penteada que emocionou o mundo proporcionando a todos um raro e inesperado momento de beleza”.

Isso é bem verdade, todo mundo sabe mas quase sempre se esquece. Ainda bem que existem momentos assim quando se pode relaxar e, ao mesmo tempo, tomar um choque de realidade, ainda que no meio da balbúrdia de beija-flores.

03 março 2009

Seu Caio e as enchentes

Seu Caio é um senhor engraçado e animado que conserta motores elétricos. O tipo de pessoa de sabedoria simples, que trabalha honestamente e que instiga a gente a um bate papo prolongado e relaxado. Nesses últimos tempos de chuvas fortes, férias de verão e motores queimando temos nos visto mais vezes. Primeiro foi o cortador de grama que pifou, depois foi o motor da piscina que foi engolido pelo lençol freático, depois o cortador de grama de novo, e foi aí que levamos um susto.

Seu Caio já tem uma certa idade o que faz a gente pensar com tristeza que, um dia, não mais estará lá para fazer esse tipo de serviço tão importante e necessário. Na semana que nossa cidade ficou inundada, Seu Caio não abriu a oficina por vários dias e, depois de várias tentativas, ficamos sabendo que a casa dele “estava debaixo dágua”. O tempo passou, as chuvas cessaram, a cidade secou, e seu Caio voltou e, por incrível que pareça, com bom humor redobrado.

Perguntado com tristeza sobre a tragédia, ele disse que foi tudo muito fácil e tranquilo:

--- A água só subiu um meio metro dentro de casa e só tive que levantar o sofá, uma mesa, a geladeira e o fogão. Uns engradados foram suficientes. Isso acontece mais ou menos a cada 3 ou 4 anos e já estou acostumado. Depois que a água baixou, lavei tudo bem lavadinho com água sanitária e, vou dizer a verdade, ficou até melhor do que estava antes. Foi “mole pru gato”.

“Mole pru gato”. Há tempos não ouvia essa expressão. Conversamos mais um pouco, ouvi atentamente o homem descrevendo o resultado da enchente como se fosse a coisa mais normal do mundo. No final, sem nenhum abalo visível, ele deu uma olhada no motor do cortador de grama e me prometeu o serviço pronto para daqui uns 2 dias.

--- Pode vir que vai ficar joinha, joinha.

31 janeiro 2009

Dirceu e a história do Joaquinzão

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Recuperando da cirurgia, explicando a todos como foi o procedimento, se doeu, se doi, mostrando o raio-X com os parafusos e vendo expressões do tipo “Eu hein, só de pensar sinto uma dor na coluna”, conversando sobre gente forte que abusa da natureza humana e carrega peso como um animal, Dirceu lembrou a história do Joaquinzão.

--- Joaquinzão era um caboclo forte que carregava sozinho, sacos de 100 Kg nas costas. Outros da turma só trabalhavam em par. Joaquinzão trabalhava sozinho.

Aí alguém pergunta:
--- E por onde anda o Joaquinzão?

--- Ah, hoje ele tá paralítico... -- responde Dirceu assim meio sem notar a conclusão dramática da história.
Depois Dirceu explica que o Joaquinzão ficou paralítico porque um dia escorregou e caiu com um saco pesado nas costas.