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03 setembro 2010

Gente assim não morre, quem morre somos nós

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Às margens do Jacuí já não se pode mais ouvir seu grito mais característico - diabarraba. O silêncio tomou conta de tudo e de todos. A brisa mansa, o barulhinho do rio correndo no seu leito, o farfalhar das folhas, o mugido triste das vacas, a natureza alheia indica que tudo continua como antes mas, algo de pesado e pungente persiste no peito daqueles que vivem por ali. Certamente que as flôres nascerão de novo, os pássaros voltarão a cantar, a chuva voltará e os cavalos ficarão bem mas, aos que ficam, tudo parece ter perdido o brilho e os momentos de alegria dá a impressão de que nunca mais serão os mesmos. A nós que ficamos, só resta o tempo que tudo apazigua, consola e cicatriza.

E Pretinho se foi.

Viveu a vida como se o melhor ainda estivesse por vir mas deu a todos seu mais genuíno carinho e atenção. Pretinho era tão especial que fazia a gente vibrar de alegria toda vez que aparecia. E sempre chegava ruidosamente como se soubesse da alegria que a gente sentia imediatamente. Era como se não se permitisse perder nenhum segundo desse prazer já se adivinhando que duraria pouco.

E viveu a vida deixando marcas fortes e duradouras em todos que tinham o privilégio de conhecê-lo. Marca essa que, agora, intensifica a dor de vê-lo partir mas que vai também consolidar a mais pura memória de alegria misturada com saudade eterna.

Impossível será esquecê-lo simplesmente evitando as coisas que deixou porque sua marca está presente na própria natureza, no som dos animais, no chiado do rio correndo, no balido das novilhas, no cacarejo das galinhas, no farfalhar das asas dos pombos e até no balanço dos bambuzais.

Pretinho honrou a família, os amigos e todos os seus compromissos profissionais com o mais extremado ardor. Homem de confiança, amigo inestimável, pai carinhoso, não passou pela vida despercebido. Pretinho não morreu, partiu antes de nós mas deixou seu legado de bondade e humildade que nos serve de exemplo e lição de vida.

Um ser humano assim nunca morre, quem morreu um pouquinho em vida fomos nós.
Que a eternidade seja digna da sua partida.
Diaba-Diaba!!

Mais fotos.

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E um momento raro pra recordar.

 

14 agosto 2010

Capivara do Jacuí

Faz parte do negócio de ser pai. Água fria apesar do sol mas foi necessário atravessar o rio Jacuí para pegar a pipa do outro lado e ainda servir de chacota com essa história de capivara. Mas tá certo – com pouco tempo pra ficar com o filho, valeu a experiência… e o sacrifício. Dá-lhe Edião.

20 maio 2010

Árvores da beira da represa

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Seguem crescendo cada vez mais em nosso quarto ano de sítio. A esperança é que daqui a alguns anos, tenhamos bastante sombra para curtir uma pescaria de leve. Ah, e também muitas árvores frutíferas para que os peixes se divirtam. No inverno do ano passado, uma geada mais forte secou todas as folhas de algumas e atrasou o desenvolvimento. Aí fizemos um coberturinha mais ou menos para ver se consegue proteger uma delas mas confesso que não estou botando muita fé não. Vamos ver.

01 janeiro 2010

Reveillon das águas do Jacuí em Cunha – Janeiro 2010

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Na virada foi só comemoração mas, como já aconteceu em anos anteriores, choveu no reveillon, choveu muito, choveu ainda mais forte do que no passado recente. O sistema de águas atingiu em cheio o sul do Rio de Janeiro e acabou sobrando prá nós aqui no vale do Paraíba, sul de Minas e serra do mar, Cunha e São Luiz do Paraitinga.

Calamidade pública em vários lugares, mais de 50 mortos na região, 6 só em Cunha, passamos a virada do ano aqui em Aparecida, chuva no dia 1o., plano de ir para o sítio quase não funcionou até que soubemos das notícias ruins sobre a enchente do Jacuí e saímos em caravana pela estrada por entre os vários deslizamentos de terra e pontes quase caindo. Povo doido, nem cogitamos o plano de ir só os homens e deixar as mulheres e crianças. Coisa muito perigosa, enchemos os carros, pegamos as correntes e fomos.

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Nosso sítio fica numa baixada que acaba sendo a única saída baixa do rio Jacuí, local onde os morros não contém as águas de cheias desse tipo. Não deu outra. Com tanta água vindo das cabeceiras, o alagamento foi geral subindo mais de 5 metros desde o leito normal do rio.

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Quando as águas começaram a baixar, a paisagem mudou, muita areia se juntou em parte onde antes era pasto, ficou parecendo cenário de praia depois da tempestade.

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Árvores menores foram varridas, sorte, as maiores resistiram.

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O leito normal do rio foi alargado, barrancos foram arrancados à força.

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A cachoeira do Beleza virou isso.

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Mas criou praias até que boas. Pena é que o rio vai voltar ao leito normal e tudo isso vai ser coberto de mato novamente.

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Nesse trecho formou-se uma represa natural, mas dá prá ver que o rio vai continuar procurando um caminho mais curto.

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Entre uma inspeção e outra, uma pausa para Bólis e Dítis.

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Até onde chegou o nível das águas.

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R., quando voltar por aqui, vai tomar um susto com o estado que ficou seu casebre.

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E depois que a água baixou, sabendo que não adianta muito lamentar, só nos restou relaxar e tentar se divertir um pouco nesse início molhado de 2010.

É claro que as crianças não perderiam a oportunidade de afundar o pé no barro e depois lavar num dos poços dágua.

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Ufa! Realmente ninguém é de ferro. Apesar de tudo, o calor não deixou de sufocar e aí, meu camarada, só mesmo um refresco no rio e aproveitar a sombra.

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Vídeos

O primeiro contato com o alagamento

Até onde a água chegou transformando o brejo numa extensão do rio, quase igual a uma represa como a gente tanto sonhou. Até brincamos com a Luzia dizendo que, agora, ela tinha a represa que tanto queria.

Povo doido prá ver como estava a igrejinha, se a água tinha encoberto tudo ou só a metade, como estavam os santos, agitaram, deram corda e resolvemos colocar a piscina de fibra para servir de barco. Preto, claro, foi o primeiro e embarcar.

Refazendo um pedaço de cerca perto do local onde a gente faz churrasco, as pedras ainda submersas, Dirceu até achou que o local tinha se acabado, rio ainda bem largo, todas as margens varridas e um pedaço de mata ciliar que virou beira de rio.

Cachoeira do Beleza (seu Vicente) totalmente descaracterizada, areia nas margens virou praia, quase todas as pedras ainda submersas, margens alargadas e o rio roncando, bravo, indomável.

26 setembro 2009

A estupidez de farol alto

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Eu já disse várias vezes e até ensaiei algumas mas, por enquanto, ainda não consegui executar o plano de sempre pegar a estrada de Cunha com luz do dia. Dirigir à noite está cada vez mais difícil e, ainda por cima, a estrada está horrivelmente mal conservada e principalmente mal pintada. Tem alguns trechos que fica difícil manter a velocidade e seguir corretamente o traçado das curvas.

Pior de tudo ainda, parece que hoje em dia todo mundo resolveu que achar que é normal viajar à noite com farol alto. Moto então, parece que todas já vem de fábrica regulada só com farol alto. Ninguém mais se importa com o absurdo.

Outro dia dei um farol alto de volta num desses mentecaptos e o carro dele invadiu minha faixa que tive que sair prá fora da estrada prá não bater de frente. Estrada sem acostamento é claro.

Tudo conspira contra. Até o farol da velha caminhonete já não é mais o mesmo, ficou fraquinho, anêmico, mas tão fraco que, ligado, parece que está só na lanterna. Aí uso o farol de milha que tem animal que acha que está regulado no alto. Aí começa a guerra de novo. Tem dia que estou de boa. Ando sempre com o farol baixo para não prejudicar os outros. Mas parece que só eu é que sou o bobão da estrada. Uma pena. Acho que esse deve ser mais um sintoma da velhice.

A melhor solução é viajar de dia mesmo.

16 junho 2009

Otimista

Pict-672 Hoje acordei mais otimista, tanto que até estou acreditando que a gente ainda pode se acertar, resolver nossos imbróglios e atingir um nível de estabilidade em nossos relacionamentos que nos permita garantir uma certa felicidade na convivência. Sim, porque um pouco de felicidade tem que sobreviver, senão realmente acho que não vale a pena.

Nossa sociedade é como se fosse um casamento. Enquanto ela existir, ninguém nunca terá liberdade total. Sempre vai ter que dialogar, trocar idéias, relevar, se sujeitar, ter que concordar com a maioria, abrir mão de certas coisas e, em compensação, poder também usufruir de certos benefícios que só a convivência pacífica e amistosa proporciona.

Temos tantas coisas boas para compartilhar. Nossas conversas, nossas briguinhas à toa, nossas recordações, nossos gritos, nossos sorrisos, nossos compartilhamentos de segredos, fofocas, o que achamos de um, o que achamos de outro, como foi o casamento que só um foi, como foi a viagem que só outro foi, o que um achou daquele crime, o que outro achou daquela novela, daquele ator, daquele absurdo, daquela notícia, do frio, do calor.

O torresmo de barriga, o queijo fresco, a sopa de inhame, mandioca, o bolo de cenoura, o sorvetão, as rosquinhas, os bolinhos de chuva, a pipoca com queijo, o churrasco, o peixe assado no papel alumínio, pirão, muqueca, fondue no inverno, banho de ducha no verão, as crianças na piscina fria, escorregando no barranco, soltando pipa, correndo atrás do perus, os cachorros emagrecendo, engordando, a cura do berne, o galo ferido, o porco que escapou.

Pegar lenha seca no mato, arrancar grama no pasto, areia da beira do rio, armar rede, roçar o mato alto, borrifar as laranjeiras, fazer mudas de pinheiro, uvaia e plantar na beira da represa, pescar nas tardes de sol, fazer a reza de Santa Cruz, consertar os fios, desentupir a fossa, limpar a beira do brejo, tirar o mato do córrego, pegar pinhão, comer araça na porta da cozinha, tirar teia de aranha, tocar os sapos, fechar as janelas para não entrar siriri, puxar carro atolado, acompanhar as visitas na chegada e na saída, esquentar o frio na fogueira, tomar quentão, comer linguiça e ouvir um som.

Tudo coisa boa que nos dá prazer. Acho que vale a pena insistir mais um pouco. Vamos lá pessoal!!

24 maio 2009

3 anos de sítio

Nesse Domingo, dia 24 de Maio, silenciosamente, quase sem ninguém perceber, aliás acho que só eu me lembrei, completamos 3 anos nesse lugar. Muita coisa tem acontecido e continua acontecendo. Me lembro que quando fizemos 2 anos, Jéssica me ajudou a listar todas as coisas que fizemos naquele ano. Ainda nem de tempo de atualizar.

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Só sei que continuamos expandindo, plantando mais, criando mais, melhorando algumas coisas, mudando outras enfim, acho que continuamos indo em frente sem vontade de parar.

O caseiro se foi, outro entrou, não quis ficar, já está saindo também, mês que vem entra outro, e vamos indo. Não vamos desistir de encontrar alguém que se sinta bem no local e nos ajude a manter esse pedaço que escolhemos para descansar.

Não deu para comemorar nesse Domingo, mas logo encontraremos uma outra oportunidade, aliás, estamos mesmo sempre comemorando, só precisamos erguer um brinde especial por mais esse período.

Tim, tim !!!

11 abril 2009

Branco fosco e tinta a óleo

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Muita gente parece que entende de pintura e que tipo de tinta se deve usar para cada tipo de material. Só parece.

Procurando a melhor opção para pintar a cerca de réguas me deram as dicas mais variadas possíveis. Primeiro foi o óleo de linhaça para fazer fundo e economizar na tinta, depois recomendaram tinta latex para fundo e para superfície, depois veio o branco fosco e latex e, por fim, branco fosco e tinta a óleo. Interessante como cada expert tem uma teoria diferente.

Para resolver a questão, achei na Internet um número 0800 da Suvinil onde esclarecem qualquer tipo de dúvida. Claro que o que disseram também não bateu com a maioria das dicas que eu já tinha. Na casa de tintas, no último minuto, ainda fizemos uma pequena alteração nos planos baseada no preço alto dos materiais. A Suvinil tinha recomendado branco fosco e latex, nós compramos branco fosco e tinta a óleo, fora a água raz e as diferentes medidas para dissolver a mistura. E a gente vai aprendendo. Mais importante que tudo isso tem sido a vontade e dedicação das mulheres.