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25 maio 2009

5 meses e 8 dias

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Hoje faz 5 meses e 8 dias desde o dia da cirurgia de artrodese na L5-S1 (um pouco de detalhes aqui porque certamente não mais me lembrarei disso daqui a 40 anos). Saí para uma caminhada relativamente leve em torno da Basílica, eu e Lana, e posso dizer que estou bem.

No início, como saí meio rapidinho para elevar logo o rítmo cardíaco, depois de uns 15 minutos, comecei a sentir um desconforto do lado esquerdo. Lembre-se que, do lado esquerdo tem a fusão óssea e do lado direito tem a plaqueta com os parafusos.

Outro dia, andando rápido todo o percurso, no final comecei a sentir uma sensação de como se algo estive queimando por dentro, dos 2 lados, na fusão e no titânio.

Hoje, quando veio o desconforto, diminuí o rítmo e logo passou.

Oficialmente ainda não comecei a fazer nenhum tipo de fisioterapia, nenhum tipo de exercício de fortalecimento da musculatura paravertebral e isso não deve estar certo. Tenho certeza de que o Dr Goveia desaprovaria começar qualquer tipo de exercício sem orientação, sem focar no reforço da musculatura. Mas entendo que essas caminhadinhas leves podem ajudar a começar o fortalecimento, recuperação do fôlego, etc. Será?

Essa foto aí de cima nem tem nada a ver com minha caminhada pelo pátio da Basílica mas, como não achei nenhuma e não gostaria de usar nenhuma imagem com direitos de outra pessoa, coloquei essa mesmo que mostra bem os caminhos que ainda me esperam quando eu tiver coragem de retomar meus exercícios regulares.

02 março 2009

Volta ao batente e musculatura paravertebral

Depois de mais de 4 meses, voltei hoje ao local de trabalho. Só fisicamente fiquei fora esse tempo todo porque, virtualmente, sempre estive presente. Pouca coisa mudou, e o que mudou mais intensamente já era esperado. Então, no final, “nada de novo no front”. É só uma volta a mais do mesmo, e as pessoas continuam quase todas por ali mesmo. Interessante como algumas pessoas nos parecem mudadas dado o longo tempo sem ser vistas. Em geral, o envelhecimento de uns e outros nos parece muito mais destacado inclusive do que para elas mesmo. Uma outra exceção principalmente em gente que foi e voltou.

O corpo e mente da gente tem uma incrível capacidade de readaptação. Bastam algumas horas para que um tempo longo, uma espécie de ponte, simplesmente desapareça.

Levantando bem cedo com esse calor dos diabos, mesma rotina, mesmo ônibus com quase todas as mesmas pessoas, caminhando um pouco mais devagar, com um pouco mais de cuidado, em silêncio para poder sentir bem qualquer indício de dor ou desconforto. A posicão no banco do ônibus teve que ser escolhida com critério.

No final do dia, com a nova antiga rotina de senta e levanta, a coluna acusou o tranco e deu sinais de desconforto com pequenas cutucadas na altura da cintura do lado direito. O médico disse que é a musculatura paravertebral se ressentindo da falta de exercícios.

10 fevereiro 2009

Parafusos

A recuperação continua bem apesar de pequenos desconfortos na região lombar. E as férias estão acabando, semana que vem volto a trabalhar. Ainda bem que logo em seguida já teremos Carnaval.

Pict-462 Pict-465 Pict-464 Pict-463 Tem sido difícil manter o repouso com tantas coisas acontecendo, bailes, colheitas, roças, cinema e rodagens por estradas de terra. Talvez seja por isso que, de vez em quando, ainda sinto um pouco de dor na região dos parafusos. Ainda bem que são só parafusos e não arruelas. Triste é constatar que,provavelmente, nunca mais vou poder fazer capoeira (!).
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03 fevereiro 2009

Relaxamento

Descrições de momentos felizes são muito chatos, mas passear com a Lana, o Max e o Bart lá nas curvas de nível gramadas do estacionamento da Basílica, no finalzinho da tarde, ficar sentado numa pedra observando a estrada ao longe sem ouvir os caminhões, ouvindo música no ipod enquanto os cachorros corriam um atrás do outro só parando para cheirar as moitas de capim enquanto duas corujas piavam no topo de uma pedra mais abaixo, com as penugens arrepiadas pelo vento ameno, tudo isso sem sentir um pingo de dor foi um momento que, definitivamente, entrou para a minha lista.

02 fevereiro 2009

Um mês e 16 dias sem sobressaltos

Faz um mês e 16 dias desde a cirurgia e tenho me sentido relativamente bem, voltando às atividades normais tanto em casa como no sítio. Aos poucos estou até voltando a dirigir e até tenho cometido a insanidade de dirigir na estrada de terra cheia de barro e buracos entre o asfalto Guará-Cunha e o sítio na mesma velha caminhonete dura e sacolejante como um cavalo. Depois desse rali, sinto um leve desconforto bem na região dos parafusos mas nada que umas horas de repouso na cama não resolva. Eu sei, tenho que tomar cuidado, mas ainda acho que estou tomando.

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Nesse período de repouso forçado que estou tirando junto com férias atrasadas e de 2009, tenho procurado me divertir e me sentir como se estivesse em férias normais. Mesmo sem poder fazer tudo que gostaria, acho que até tenho conseguido não ficar com aquela sensação de estar perdendo uma parte importante da vida.

Após 30 dias da cirurgia, tirei um raio-X, fui à SP consultar com o Dr. Goveia e ele disse que, pelo que pôde observar, está tudo indo muito bem. Não deixou de recomendar continuar com o repouso e não fazer estripulias para manter a prótese inteira até a parte óssea se soldar completamente. De volta para casa, volta para o sítio, mais atividades tranquilas e com cuidado. Por enquanto, tudo está saindo como planejado.

31 janeiro 2009

Dirceu e a história do Joaquinzão

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Recuperando da cirurgia, explicando a todos como foi o procedimento, se doeu, se doi, mostrando o raio-X com os parafusos e vendo expressões do tipo “Eu hein, só de pensar sinto uma dor na coluna”, conversando sobre gente forte que abusa da natureza humana e carrega peso como um animal, Dirceu lembrou a história do Joaquinzão.

--- Joaquinzão era um caboclo forte que carregava sozinho, sacos de 100 Kg nas costas. Outros da turma só trabalhavam em par. Joaquinzão trabalhava sozinho.

Aí alguém pergunta:
--- E por onde anda o Joaquinzão?

--- Ah, hoje ele tá paralítico... -- responde Dirceu assim meio sem notar a conclusão dramática da história.
Depois Dirceu explica que o Joaquinzão ficou paralítico porque um dia escorregou e caiu com um saco pesado nas costas.

07 janeiro 2009

Mudando de ares, trocando de cama

Pict-452 Chegou a hora de mudar um pouco de ares, vamos para o sítio passar uma semana até o dia de voltar para visitar o Dr. Goveia de novo. Eu achei que conseguiria aguardar até o final do mês mas não dá mais. Cansei de ficar nessa mesma cama mais de 12 horas por dia.

Fizemos alguns preparativos, compramos massa de pizza, de pastel, suco em caixinha, vinho e Ypioca. Baixei uns episódios do “The new adventures of the old Christine”, estou gravando uns DVD’s, vou levar a Sky e o computador. Ontem recarregamos a bateria da Hilux que ficou completamente morta nessas últimas semanas e estivemos dando uma olhada numa nova máquina elétrica de cortar grama. Como uma máquina boa vai ficar mais de mil, por enquanto, vamos tentar dar um jeito com a máquina à gasolina mesmo.

Talvez a gente pudesse levar a TV de 29” mas não sei ainda. No sítio, sem Internet, normalmente eu consigo me dedicar mais aos livros, TV, filmes e escrever no computador. Quem sabe surja alguma nova idéia nesse período. Vamos ver.

Para a estrada de chão cheia de solavancos, a solução, por enquanto, será calma, paciência e movimentos bem vagarosos, nem que demore uma eternidade afinal, pressa é a única coisa que não temos no momento. Vamos nessa!

05 janeiro 2009

Carro duro, costela de vaca e hérnia de disco

Pict-451 Continuo em rítmo de recuperação, 12 horas de cama incluindo o sono noturno e o resto fazendo pequenas atividades sentado, andando, nada de muito agitado. Dr. Goveia acompanha e passa as recomendações por email seguindo um calendário rigoroso.

Mas estou com vontade de mudar de ares, de passar uns dias ao lado do Rio Jacuí e, para chegar lá, o grande obstáculo são os 7KM de estrada de chão, cheios de "costelas de vaca", buracos, pedras e muito barro resultado dessa chuvarada toda.

Agora, nesse estado delicado, me dou conta de como é dura nossa caminhonete Hilux 94 com esses feixes de mola na frente e atrás. É um carro muito forte, pau prá toda obra, bom de barro e de morro, mas, por ser assim tão dura, me acaba com os discos da coluna. E para chegar lá, pelo menos por enquanto, temos que pensar numa alternativa mais macia.

Gino, um colega do serviço, me disse certa vez que já viu um caso desses, onde a pessoa teve que trocar de carro por um bem mais macio só por causa dos problemas na coluna. Ouvi, registrei mas achei que talvez nunca fosse chegar nesse ponto. E parece que cheguei.

Antes da cirurgia, já com a hérnia bem deteriorada, 2 finais de semana nessa estrada de chão, me travaram na cama por vários dias. Só um tempo depois pude relacionar o ocorrido com os solavancos na Hilux. A cavalo não ando, mas o resultado na Hilux acaba sendo praticamente o mesmo. Preciso de uma Hilux nova.

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01 janeiro 2009

Reveillon com tudo que tem direito

Reveillon dos Diaba-DiabaReveillon sem novidade mas alentador do ponto de vista de que a comunidade resiste e insiste em relaxar e ser feliz sem preocupações pelo menos nessa que é uma das poucas oportunidades em que ainda conseguimos juntar o maior número de famílias - nós adultos nos divertimos e as crianças se divertiram mais ainda.

DJ Pino em ação, muito funk, créu e caubói viado. Apesar do excesso e do curto-circuito etílico que agora causa visões de acampamentos e aurora de reveillon em montanhas, todas as peças de titânio resistiram e a natureza só deu um pequeno troco mais de 24 horas depois. Agora é preciso compensar com repouso reforçado. Tudo pelo social e pelas boas horas de divertimento.

Dia seguinte, muito calor, um pouco de sol, piscina, churrasco e muita vontade de comer mais. Sessão nostalgia de lei, esse ano mais nostálgico ainda com a passagem relâmpago e lacrimosa do Moisés bem na hora de rever antigos aniversários.

No mais foi assim mesmo, som, comida, bebida, piscina, churrasco e muita diversão. Todo mundo admite que é muito chato falar de famílias felizes, mas isso é só um momento, nem tudo é sempre assim, mas fica aqui o registro da tradição que, espero, continue por muito tempo ainda. Abaixo, o volley e as fotos, aqui.

30 dezembro 2008

Sem pontos, sem esparadrapo e um chope gelado

21:35
Ufa, estou livre dos pontos e do esparadrapo que estava me causando alergia. Cepog fechado, fizemos o serviço no Hospital Frei Galvão que, agora, está com um centro de atendimento novinho em folha, muito mais confortável. O serviço foi rápido e tão desconfortável como haveria de ser. E o pior é que, sabendo quantos pontos haviam, não teve como não ir, contando um a um, enquanto a enfermeira ia cortando a linha e dizendo:

-- Calma que tá quase acabando...

E acabou mesmo. E já me sinto feliz por ter reconquistado essa pequena liberdade que é poder tomar quantos banhos quiser a qualquer hora que achar melhor. Ah, como isso é muito bom.

Dr. Goveia, de São Paulo, sinal de que acompanha atentamente o que se passa com o paciente à distância, me mandou um email pedindo notícias sobre minha recuperação e preparado para continuar com as orientações. É muito bom poder contar com esse suporte mesmo estando longe de SP.

Voltando prá casa, um calor dos diabos, demos uma passadinha no Shopping para um chope gelado o que ajudou a elevar o astral de final de ano. O Reveillon promete.

Dia de tirar os pontos

13:37
Hoje é dia de tirar os pontos e fico sabendo que o Cepog já está fechado para as festas de fim de ano. Só Sábado. Alternativa, no Frei Galvão tem médico (que pode ser aqueles tipo estagiário), mas tudo bem, vai ser lá mesmo. Preciso tirar esse curativo com esparadrapo Cremer que está me matando de tanto que comicha. Sem os pontos e sem curativo, vou poder tomar banho a qualquer hora e até refrescar na piscina tomando uma gelada. Não vejo a hora.

A caminhada de ontem não me fez bem, acho que exagerei. Estou sentindo um pouco de dor do lado direito onde ficam os parafusos. Espero que não seja nada que não possa voltar ao normal com descanso adequado. Preciso ficar ligado prá não cometer nenhum exagero e me arrepender depois.

É que, com o passar dos dias, a cicatrização vai melhorando e a gente vai, automaticamente, voltando a fazer mais movimentos, mais coisas normais enfim, voltando à vida normal e esquecendo que tem um mês para ir bem de leve, sem exagerar.

Deh, em Floripa, não ligou mais, não mandou SMS, não deu mais sinal de vida. Deve estar se esbaldando. Tomara que não esteja precisando de nada que a gente pudesse prover para fazê-lo mais feliz.

29 dezembro 2008

Caminhando com parafusos

20:43
Uma das minhas maiores preocupações com a cirurgia da coluna, travada com parafusos e placa de titânio, é com a perda de capacidade para fazer caminhadas. Aceitei fazer a cirurgia para garantir uma boa qualidade de vida e, caminhar faz parte do que considero uma vida normal. Caminhar é preciso, mesmo que não possa mais saltar de barrancos de 3 metros de altura.

Por enquanto, 12 dias após a colocação dos parafusos, já pude dar uma caminhadinha de uns 20 minutos me sentindo absolutamente muito bem. Aproveitei que tinha mesmo que dar umas voltas de acordo com a recomendação do Dr. Goveia, e levei a Lana comigo para sentir uns cheiros diferentes. Até completamos o giro com o Max amarrado na correntinha. É claro que todos gostaram muito. Que cachorro que não gosta de andar à toa.

27 dezembro 2008

Esparadrapo Cremer

11:55

O curativo com esparadrapo Cremer está me causando alergia nas costas. Isabel acha que é culpa minha porque estou ficando mais tempo na cama do que deveria. Tá certo, é sempre culpa minha.
Minhas 2 coxas continuam desconfortavelmente dormentes. Estranho é minha perna direita que não tinha nada antes da cirurgia. Diz o Dr. Goveia que é por causa da posição na mesa de cirurgia mas que vai passar logo. Continuo esperando passar.

Sábado chuvoso, vontade de tomar um café, Isabel dormindo ainda.
Desci e fiz uma coisa que tenho tido vontade faz tempo: dar uma volta com a Lana na rua. Sem querer, vi a correntinha dela no chão, passei-lhe pelo pescoço e ela deve, imediatamente, ter se lembrado dos nossos passeios. Não resisti e dei uma voltinha bem curtinha pela calçada. Tenho receio que ela me dê um tranco na coluna o que quase aconteceu quando passamos por uma casa onde tinha um outro cachorrão. Segurei firme mas achei melhor voltar rapidinho.

Nesse Natal, estreou "Marley e Eu" no cinema de Guará e eu estive até fazendo planos de ir ver mas não deu. Com a coluna assim, acho que não vai ser uma boa enfrentar fila e ficar horas sentado naquela poltrona baixa do cinema.
Vi, na Internet, que tem gente que assistiu e chorou. Eu chorei no final do livro. De certo que vou chorar no filme também. Tomara que consiga disfarçar bem. Afinal, "Marley" é muito mais uma licão sobre paternidade do que sobre a fera amarela. Vamos ver.

22 dezembro 2008

Quinto dia da cirurgia

O tempo se arrasta mas não pàra. Hoje consegui passar a maior parte do dia na cama. Achei melhor tirar o computador da mesa e colocar no suporte em cima da cama para não acabar ficando muito tempo sentado. Deu certo. Continua bem desconfortável, mas vai ser melhor para a cicatrização.

As duas pernas continuam dormentes e queima a cicatriz. Mas parece o curso normal da recuperação.

Acabei navegando muito, explorando a estrutura do blogger e, pela primeira vez, assinei o Adsense e consegui colocar online. Já está funcionando aí do lado.

Assisti 2 filmes: o excelente “Crash”, que mereceu os 3 Oscars que ganho e um do 007, “mó paia”. Foi bom como mais um motivo para ficar na horizontal.

Hoje é niver do Deh que acordou bem tarde, almoçou e saiu para a rep em Guará. Ainda deu tempo de dar um abraço apertado. Que o juízo lhe assente.

20 dezembro 2008

Dia da alta – volta prá casa

20081220-Sat-05:50:54
Ansiosidade não me deixa dormir, cabeça cheia de pensamentos, planos, alguns pensamentos até meio malucos e desafiadores. Levanto sozinho, vou ao banheiro, ligo o laptop e venho escrever um pouco.
Ainda faltam quase 2 horas para o café. Ainda está escuro lá fora.

20081220-Sat-09:21:41
Tomar banho, aguardar Dr. Goveia passar por aqui para dar alta. Tá meio frio lá fora, sem sol, vou ter que ir de calça jeans.

20081221-Sun-08:47:04
Em casa desde ontem, é a primeira vez que me sento para escrever com mais calma, ontem foram só arranjos para ajustar o ambiente para esse mês de recuperação. O primeiro mês é mais crítico para a cicatrização da parte da musculatura e talvez também para a consolidação do enxerto ósseo.

Dr. Goveia recomendou ficar 18 horas na cama e distribuir as outras 6 para ir ao banheiro, tomar banho, comer, dar umas voltinhas pelo quarto, pela casa.

Escada até pode desde que moderadamente (3x ao dia).

A ambulância ontem veio rapidinho a mais de 120 por hora; esses caras estão acostumados a andar depressa. Isabel veio na frente porque o motorista precisava de alguém para lhe mostrar o caminho em Aparecida mas bem que ela poderia vir lá atrás comigo e passar para a frente quando estivesse chegando. Com a velocidade, sozinha com  motorista, num carro com um baita vidrão na frente, ela quase morreu de pânico. Eu só me lembrei desse detalhe no meio do caminho quando prestei atenção no ruído das ultrapassagens rápidas. Mas aí, como já devia estar perto, achei melhor deixar quieto. Dito e feito. Isabel chegou apavorada e cheio de dores no pescoço.

Lá atrás, eu deitado naquela maca desconfortável de sempre, virando de um lado para outro revezando o desconforto das pernas dormentes, pensando na tortura da demora da viagem, usei um pouco o blackberry, mandei uns tweets, coloquei o ipod e vim ouvindo "Marisa Monte". Por isso acabei me desligando um pouco da viagem e fiquei surpreso quando percebi as manobras já dentro de Aparecida.

Enfermeira Virgínia toda paramentada, veio sentada no banquinho me vigiando. Serviço completo, tudo pago pela Mediservice.

Chegamos, descemos, nos despedimos e o pessoal da ambulância retornou imediatamente.

O tempo estava cinzento e chuvoso começando a garoar mais forte. Não havia ninguém em casa. Havia me esquecido de ligar pelo celular para avisar que estávamos chegando. Havia uma ligação perdida no meu. Ligue para Amanda, ela estava na Teresinha e veio rapidinho no receber.
Ninguém sabia do Deh que chegou bem depois, mancando, com tala no pé, disse que se machucou no futebol.
Segunda-feira é aniversário dele.

Enfim, em casa novamente. Cachorros pulando, cheirando e lambendo, beijos e abraços. É verdade, nada como a casa da gente!

17 dezembro 2008

Chegou o dia da cirurgia, finalmente

Estava devendo esse post para completar a história da cirurgia de artrodese na coluna no nível L5-S1 com colocação de parafusos e plaqueta de titânio, material fornecido pela Hexagon Indústria e Comércio de aparelhos ortopédicos, uma empresa de Campinas. Estive pesquisando várias empresas que fornecem esse tipo de material, inclusive a Depuy da própria Johnson poderia ser uma possibilidade, caso eu resolvesse fazer a cirurgia em outro lugar. No final, preferi confiar na experiência de mais de 20 anos da equipe do Dr. Goveia e também de que essa equipe, certamente, teria ao longo dos anos, adotado um material de qualidade comprovada. O resto ficaria por conta do plano de saúde.

Viajamos à São Paulo de ônibus, eu a Isabel, companheira de todas essas horas amargas. Tomei uma dose caprichada de Codaten para tolerar a dor na perna e lá fomos nós. Já no Hospital, esperando os arranjos na recepção, fizemos contato com uma outra pessoa, jovem ainda, funcionário das Casas Bahia, com uma aparência bem combalida, conversa vai, conversa bem, ele nos contou que estava lá para colocar 3 pontes de safena e que, há tempos, vinha tendo muitos problemas sérios no coração. E a cirurgia seria na manhã seguinte, no mesmo horário da minha.
Olhei bem para ele e, em silêncio, até senti um certo alívio ao comparar minha situação com a desse jovem. Achei que a minha cirurgia seria bem mais simples do que a dele e não gostaria de trocar de lugar.

Coisa ridícula essa de fazer a tricotomia da parte lombar às 5 da manhã e o pior, por um enfermeiro homem. Mas tudo bem. Naquele momento comecei a entrar naquele clima horrível de hospital onde o paciente se torna um nada nas mãos de qualquer um.

Preparado para injeção “fatal” da anestesia, insisti com todo mundo ao meu lado para que tentassem fazer um entubamento menos doloroso que da última vez, um serviço melhor. Todo ouviram com atenção e acho que funcionou. Disseram que usaram um tubo mais fino, mais maleável enfim, mais amigável e, no final, funcionou, pois minha traquéia resistiu quase ilesa dessa vez.

4 horas depois, de volta ao quarto, volta da anestesia, vivo enfim. Sobrevivi. Como sempre, todos os médicos disseram que correu tudo bem – os médicos sempre fazem isso - e que no dia seguinte já poderia me levantar. Todos os medicamentos por via intravenosa, nada de comprimidos, o único dissabor foi o desconforto indesejável de esvaziar a bexiga que não aconteceu sozinho por vias normais. Rios, ribeirões, postes, muros, matos, vielas escuras, banheiro de festa, cervejada, nada, nada adiantou. Dessa vez, só mesmo com a sonda apavorante e não só uma vez mas 3. Isso foi o que houve de pior. O resto deu prá tirar de letra. Mas sobrevivi de novo. A gente sempre sobrevive.

Ainda bem que prá compensar houveram as enfermeiras, todas muito gentis e sádicas como hão de ser.

Foi assim, agora, pinado e parafusado, vamos ver como vai ser a vida.