17 outubro 2008

E o Dudu me pegou de novo

--- Dudu, preste bem atenção, vamos ver se você é mesmo esperto.

--- Tá bom - respondeu ele.

Sigo em frente certo de que ia pegá-lo fácil. Pergunto.

--- Um mudinho estava assistindo a um jogo da seleção brasileira, jogaço, de repente, o Kaká faz um golaço. O que o mudinho grita?

Dudu responde na lata.

--- "Gol", ué... só que ninguém escuta.

É verdade. Não tinha pensado nisso...

17 setembro 2008

Dudu sabe de tudo

Estava eu dentro da varanda passando o fio da Sky por cima da madeira que passa por baixo da cumieira - o ponto mais alto do telhado - quando precisei da ajuda de alguém para segurar a escada que estava escorregando no piso liso.

Olho para lá e para cá e não vejo ninguém. Aí, subindo pelo caminho de pedras, vinha o Dudu todo feliz porque tinha acabado de inspecionar uns ninhos e confirmado que não tinha nenhum ovo novo e quente. Nenhuma galinha o tinha enganado e botado algum ovo econdidinho e saído de mansinho sem cantar para o Dudu não ver.

Ele estava de olhos e ouvidos atentos. Toda vez que uma galinha botava um ovo e saía cantando, Dudu saía correndo procurando nos ninhos para ver onde é que estava o novo ovo. Mas, de vez em quando, ele não confiava muito que a galinha ia cantar e saía conferindo com os próprios olhos.

Aí teve uma hora que o Fred - o galo - cantou alto e fez um barulho danado, Dudu parou, ouviu e falou sozinho:

-- Ué, esse aí acho que não foi a galinha não. Tá cantando muito grosso. Acho que foi o galo, e como galo não bota ovo, não preciso ir olhar.

Bem, aí veio o Dudu subindo sorridente e eu o chamei para segurar a escada para mim. Eu mesmo não estava acreditando muito que o Dudu pudesse impedir uma catástrofe caso a escada começasse a escorregar. Mas como estava ansioso para acabar o serviço e o Dudu era o único por ali, resolvi contar com ele mesmo.

Foi divertido.

Subi 3 degraus mas precisava subir mais um para alcançar a cumieira quando Dudu logo avisou:

-- Tio, acho que você não devia subir mais um não, porque vai cair. Acho que vai escorregar e eu não vou agüentar.

-- Sabe que você tem razão, acho que não vou arriscar -- respondi.

Desci da escada, fiquei pensando por uns instantes, Dudu ficou por ali esperando. Peguei a outra escada, fiz um apoio escorado na beira da varanda e amarrei com a corrente de prender o cachorro.

-- Ah, o tio amarrou com a corrente da Bolinha. Tio, acho que agora não cai não - disse o Dudu.

Subo os 4 degraus, começo a passar o fio e comento com o Dudu lá de cima:

-- Dudu, sabe quem é bom de mexer com esse negócio de passar fio?

-- Não - responde ele.

-- O Edson - respondo - ele é que é bom de passar fio.

-- Ah, meu pai, ele é bom mesmo. Ele é bom de trabalhar com força elétrica, já trabalhou na Prefeitura. Sabe o que ele fazia na Prefeitura?

-- Não - respondo.

-- Ele cortava a força elétrica de quem não pagava a conta no fim do mês. Ele usava um alicate para cortar o fio no poste. Aí ficava todo mundo no escuro - explica o Dudu.

-- Puxa - comento - mas que coisa terrível. Acho que tinha muita gente que não gostava dele então. Onde já se viu, cortar a força elétrica e deixar todo mundo no escuro.

Dudu, interessado na conversa enquanto me observa passando o fio, continua:

-- É, mas tem que cortar mesmo. Não paga. Quem manda gastar todo o dinheiro e não pagar a conta de luz.

-- É verdade - confirmo - Dudu, isso é verdade mesmo. Tem gente que gasta todo o dinheiro, compra doce, bala, coisas à toa e não paga as contas. Todo mundo tem que primeiro pagar todas as contas e só depois gastar o dinheiro com bobagem - explico.

E continuo.

-- Mas Dudu, me diz uma coisa: se cortar a luz aí fica todo mundo no escuro, não pode ver TV e nem dá para tomar banho quente. Aí como faz? Você já conheceu alguém que ficou assim, sem luz e sem água quente para tomar banho?

-- Claro que eu conheço.

-- Ah é? Quem?

-- Eu mesmo ué. Lá em casa ficou sem luz e eu tinha que tomar banho no balde.

Não resisto a gargalhada e tenho que me segurar no alto da viga da cumieira para não cair de tanto rir.

-- Verdade, Dudu? Caraca, mas e aí? Como é que você se virou?

-- Ah, não sei direito, mas acho que pagaram a conta e luz foi ligada de novo. Mas não tinha sido o meu pai que cortou, não - explicou.

-- Ah, que bom. Ainda bem que nunca mais aconteceu né? - pergunto.

-- Acho que não. Tem gente que paga a conta, meu pai liga a força, depois eles não pagam de novo, meu pai volta e corta de novo. Se pagar, fica com luz, se não pagar, meu pai vem e corta. Não tem moleza, não....

16 setembro 2008

Dudu - "nem preciso de escola..."

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Me levanto de manhã com uma nova charada para o Dudu. Aquela do cachorro, do cabrito e da couve. Antes de me levantar, fiquei na cama um tempo acordado pensando um monte de coisas. Aí me veio a lembraça de que precisava pensar numas novas charadas para o Dudu para alimentar esse pequeno cérebro que funciona a mil o dia inteiro.

Saio para a varanda com a xícara de café na mão e chamo o Dudu, que já estava por ali há muito tempo:

-- Dudu, tenho uma nova charada para você, mas essa é muito difícil, acho que você não vai conseguir. Essa uma só quem tá na escola é que consegue resolver.

-- Ah, eu gosto de charada. Então manda! - responde o Dudu.

Isabel, do lado, destampa a rir que chega a se contorcer.

Continuo tentando convencê-lo de que ele deve voltar para a escola.

-- Então Dudu, quem vai à escola fica bom de resolver qualquer tipo de charada, fica inteligente, aprende um montão de coisas. Ainda bem que você vai voltar logo para a escola.

Dudu responde:

-- Ah, eu vou mesmo voltar para a escola mas acho que nem precisava. Lá na escola tá cheio de gente que não consegue resolver essas charadas. Eu consigo, aprendo tudo só com a minha cabeça. Então nem preciso de escola. Mas eu vou assim mesmo.

Esse é o Dudu, tenho que ficar esperto com ele senão ele é que acaba me pegando...

14 setembro 2008

Primavera quase chegando

O tempo começou a ficar bem gostoso de novo, o inverno já está no finalzinho e a primavera já está logo ali na esquina. Por todo lado onde se olha a gente já percebe o avançar do ano, a temperatura mais amena, flores aparecendo aqui e ali, os canários voltando, as andorinhas se acasalando. Uma beija-flor fez um ninho bem pertinho da janela do nosso quarto por entre os fios soltos. Quando a gente se aproxima bem devagarinho, dá para pegá-la no flagra bem aconchegada no ninho só com a cabecinha para fora. Hoje passei por lá umas duas vezes, me lembrei de ir pé ante pé mas não a vi. Fiquei curioso para saber se já chocou o ovo e foi embora mas não pude dar uma olhada. Acho que foi pouco tempo ainda. Pela manhã, como das outras vezes, ouvi o farfalhar alucinado das asas dela pela veneziana da janela. Então acho que ainda está por ali. Agora nem posso mexer com aqueles fios soltos mas também, quem tem pressa por aqui né. Quando ela acabar o que está fazendo, eu continuo o trabalho com os fios da casa para o quiosque.

Durante essa semana fez bastante sol e o clima esteve bem seco mas, como estava previsto, caiu uma chuvinha passageira à noite mas, de manhã, o céu já tinha vários pedaços azuis e as nuvens bem estavam bem espalhadas.

De madrugada, quando escutei o barulho da chuva no telhado, acordei e me lembrei que tinha deixado uma telha fora do lugar na varanda quando estava tentando colocar a antena da Sky no suporte de caibro. Muito a contragosto, me levantei no meio da noite, eram umas 4 horas, e puxei a telha no lugar. A água já estava entrando pelo buraco e molhando o chão da varanda. Interessante, o Gustavo ainda estava assistindo a um programa na Sky enquando a Amanda dormia profundamente, ambos deitados no colchão no assoalho da sala.

Voltei prá cama e, rapidinho, retomei o sono de antes enquanto o barulho da chuva continuava cada vez mais forte. Ouvindo barulho de chuva assim na madrugada para amanhecer Domingo, dia de voltar prá casa, me deixa apreensivo com a dificuldade de ter de passar por alguns trechos ruins da estrada de terra. A Hilux está com os pneus cada vez mais lisos, principalmente os da frente. Sinal de que, no mínimo, preciso fazer um rodízio. Como a chuva caindo, imaginei que se ela continuasse durante o dia, teria que colocar a corrente para poder sair daqui. Corrente nos pneus de trás, ou será que, dessa vez, teria que colocar nos pneus da frente por estarem mais lisos? Ou quem sabe uma num pneu da frente e outra num pneu de trás? Nunca havia pensado nisso antes.

E se, ainda assim, a Hilux escorregar e encostar num barranco e não puder sair? Teríamos que voltar e ficar aqui até a estrada secar. Quem de nós teria problemas em não estar em casa na Segunda? Eu estaria tranquilo porque não tenho nada urgente para o começo da semana. Aliás, nem para a semana inteira. Amanda teria problemas pois tem que ir prá JJ na Segunda de manhã. Gustavo deve ter compromissos. Luzia também teria que ir trabalhar de manhã. Isabel poderia muito bem ficar comigo. Dudu teria que voltar para a casa dele mas, numa situação assim, não imagino que teria maiores problemas.
Todos esses tipos de pensamentos me ocorrem toda vez que chove por causa do barro e desses pneus que já estão pedindo uma troca por pneus mais preparados para barro. Mas e a coragem para gastar os 2 mil reais nos pneus novos. Pior que conforme o tempo vai passando, pode ser que o preço do pneu aumente ainda mais.
Mas é sempre assim, uma hora dessas, vou, troco e resolvo o problema. Quando voltarmos a pensar no assunto, isso já será um problema resolvido.

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Está ventando bastante mas em sentido contrário ao lado de onde parece que tem mais chuva. O tempo está fechado e deve chover mais à tarde. Melhor começar a arrumar para ir embora.

Acabei de ir ver onde o Pedrão colocou o resto da grama arrancada no local onde a terra foi arada. Até dá para chegar de caminhonete, mas com esse vento meio frio, o pessoal não vai se animar para ir carregar. Eu, com essa dor na coluna, não quero arriscar então, vai ter que ficar para a próxima.

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Fiação passada, descendo ali no cantinho da sala, junto com os outros fios, pronto!, serviço praticamente concluído. Só falta dar mais um aperto nos parafusos da antena. Semana que vem a gente faz isso.

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Dudu

Dudu tem vindo com a gente tem umas 3 semanas. Na realidade não é com a gente, é com a vó Luzia. Na primeira semana achamos que ele poderia não se acostumar a ficar sozinho longe da mãe e do pai mas, no final, ficou de boa. Dudu é muito divertido, inteligente e faz coisas o dia inteiro que chama a nossa atenção. Esse final de semana foi a caça aos ovos das galinhas. Dudu acompanhou várias galinhas e junto mais de 10 ovos durante o dia inteiro. Sumia toda hora e, quando alguém ia procurar, lá estava o Dudu vigiando umas galinhas esperando elas cantarem anunciando que tinha mais um ovo.

Esse final de semana, ele estava todo feliz porque andou ganhando uns trocados aqui e ali e já tinha 8 reais. Na Sexta, tivemos que nos divertir com ele contando a fortuna de hora em hora. E Dudu adora piadas, pegadinhas e Charadas. Hoje aprendeu uma muito difícil: a do pescador que tinha que atravessar um rio numa canoa com um cachorro, um cabrito e um monte de couve sem que o cabrito comesse a couve ou que que cachorro comesse o cabrito. No final, ele aprendeu muito bem e veio embora pronto para lançar o desafio para o pai e os parentes. Ele mesmo ainda tem 2 desafios a enfrentar: voltar para a escola e largar a chupeta. Mas isso é só questão de tempo.

03 agosto 2008

Frio, chuva, grama e carrapato

Nessa época do ano o tempo está sempre frio e seco. Tem dias que o céu está tão azul que mal o sol se pôe e logo a temperatura baixa para pouco mais de 10 graus. Ai, no meio da noite fica mais frio ainda e, pela madrugada, congela-se o orvalho da noite virando geada pela manhã. Por esses dias a geada já apareceu umas duas ou três vezes secando todo o verde desprevenido. No alto do morro dá para ver nitidamente pela diferença de cor, onde a geada causou mais estrago na grama e na braquiara.

O gado até que não emagreceu muito este ano, graças à vigilância constante e ao trato diário com capim picado na picadeira. Os cavalos, que comem grama a maior parte do tempo, sofrem mais, ficam menos protegidos e favorecem o aparecimento de hordas de carrapatos. O pessoal daqui acredita que existam 3 espécies de carrapato: o porvinha, o estrela e o redolego. Eu acho que o porva é o mesmo estrela logo que sai aos milhões, dos ovos postos nos galhinhos da ravina. Já o redolego, aquele grandão que parece uma semente de mamona quando está cheio do sangue dos mamíferos, não parece ser o estrela que se refestelou do sangue de algum incauto ou impossibilitado. Só sei que, nessa época, bastar dar uma voltinha pelo pasto, para alguns deles começar a subir pelas pernas da gente procurando o lugar mais seguro e quentinho para se atarracar.

Tem uns "sangue-ruim" por aqui que dizem que não pegam carrapato. A Luzia é uma delas e não sei qual é o mistério.

Nesse final de semana, aproveitamos a visita do Aldo e do Gustavo para carregar placas de grama do pasto para o terreiro da casa para plantar no lugar de onde saiu a rampa e ficou um barranco nu de terra vermelha. Foi mais um trabalho bruto para a super caminhonete velha de guerra. Turminha de coragem, enfrentou com coragem o trabalho desconfortável em meio a aranhas enormes e borbotões de carrapatos-estrela subindo pelos braços e pernas. Tem gente que teve que tomar banho de álcool para se livras dessas pestinhas rastejantes e chupadoras de sangue. Quando tem esse tipo de serviço no pasto nessa época do ano, ao voltar para casa, uma luz bem forte e um pequeno espelho é o melhor que se pode arranjar para capturar os invasores sempre bem encodidinhos nas partes íntimas.

Num dia sem sol, meio frio e de céu cor de chumbo, foi diferente brincar com as varas de pescar no rio tentando pegar pelo menos uma das traíras e piaparas grandes que andam aparecendo na beira do rio. Ficou só na tentativa. Sorte mesmo teve o Dirceu com seu método noturno que deu para pegar uns 10 grandões. Valeu por um almoço com peixe fresco em dia cinzento e com alguns humores meio virulentos contaminando todo mundo. O melhor humor de todos, como sempre, foi o da Lana que, fora uns arranca-rabos com a Ditinha, se divertiu mais que todo mundo no pasto desnudo, molhado e cheio de carrapatos.

27 julho 2008

Dia de Reza do Divino

Hoje na parte da tarde, vieram os rezadores do Divino da parte da Festa do Paraitinga, fazer a reza e cantoria típica dessa comemoração. Esse ano, um pouco fora do normal, essa reza aconteceu meio fora de época, mas foi bom poder contar com a tradição de recebê-los e circular com o estandarte do Divino abençoando os cômodos da casa.

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Mudo e calado...

Como dói na gente passar um final de semana inteiro longe de casa e ao voltar, ver o próprio filho plantado em frente ao computador trocando mil palavras com os amigos pela Internet e não ter sequer uma única sílaba para nos saudar. Dói principalmente pela própria culpa de ter contribuído e oferecido todos os recursos para que a convivência familiar fosse assim massacrada pelo uso do computador e desses malditos programas de relacionamento.

26 julho 2008

Dirceu orgulhoso de sua Crioula

E não é que essa égua ficou bonitona mesmo? Assim dá gosto de dar uma cavalgada nem que seja uma vez por semana, né seu Dirceu?

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... e o picapau apareceu para compensar a ausência dos canários.

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25 julho 2008

Removemos a rampa e fizemos uma nova entrada

Depois de alguma discussão, uns concordaram, outros ficaram meio com o pé atrás mas, no final, resolvemos remover a rampa de chegada para dar mais espaço para aumentar a casa. A entrada principal de acesso agora dá a volta por trás do quiosque, faz uma curva por baixo do platô e sai direto na praça gramada ao lado da casa.

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Mais fotos aqui.

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28 junho 2008

Novas réguas no mangueiro

Tem final de semana que é diferente porque, de repente, sem nenhum planejamento, tem gente que resolve nos brindar com ar de sua graça e, às vezes - não sempre - vem mesmo com vontade de botar prá quebrar. Desta vez, aproveitando a ajudinha extra, Preto fêz um belo progresso colocando as novas réguas do mangueiro já que as antigas foram caindo por si só de tão velhas e podres.

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Também, com uma ajuda dessas, daria para trabalhar uns 30 dias sem descanso. Débora quando quer e quando resiste ao sofá da sala que a chama sem parar, pode trabalhar até de ajudante de carpinteiro para consertar cerca de mangueiro. Com duas ajudantes assim, todas as cercas de régua da região poderiam se substituídas por novas em curtíssimo espaço de tempo. Não ia ter carpinteiro para mais ninguém, nem prá bicho.

24 maio 2008

Aniversário de 2 anos

Hoje completamos 2 anos de sítio e, até o momento, só eu estou me lembrando disso. Acabei de falar para Amanda, Gustavo e Jéssica que estão ali na sala em frente à tv, colchão ainda no chão, descascando batatas.

Eu, mesmo sendo o primeiro a se levantar nessa manhã ensolarada e fria, só abri as portas depois das 9, o termômetro maio capenga da varanda marcava 14 graus. Parecia bem mais frio. Mas o sol forte já vinha prometendo um dia quente de novo. É que o céu está azulzinho sem uma nuvem no horizonte e a lua esteve cheia anteontem. Por isso esquenta bastante durante o dia e esfria à noite.

Hoje, depois de algum tempo, reabasteci de alpiste os comedouros dos canários e de água com açúcar, os bebedouros dos beija-flôres. Vindo lá da direção do brejo, estou ouvindo uma forte cantoria de canários. Não consegui identificar direito se vem do lado de lá ou se do lado de cá. Mas a notícia é boa de qualquer jeito porque já faz um tempão que os canários sumiram. Ficaram só os pombos e as rolinhas que comem tudo que vêm pela frente até mesmo sem mastigar. Por isso parei por umas semanas mesmo depois de ter colocado telas de proteção nas gaiolas. As rolinhas aumentaram muito, comem demais e não deixam nada para os menores, canários, coleirinhas, pintassilgos e tico-ticos.

O espírito por aqui tem mudado bastante, mas tanto, que esse feriadão de Corpus Christi está parecendo tão longo. Parece que viemos já faz tanto tempo e hoje ainda é Sábado. Essa sensação de tempo interminável é um indício de que o espírito mudou, e mudou muito. Uma mensagem clara para nós de que precisamos revigorar nossas energias e não perder de vista as boas coisas que temos feito e a beleza da natureza que temos o privilégio desfrutar todo final de semana.

Para todo mundo é um tempo comum. Eu é que tenho essa mania de contar o tempo, rever as realizações, comemorar as pequenas coisas e contemplar o tempo à frente num plano mental. Jéssica me ajudou a listar mentalmente as principais realizações desse segundo ano de sítio. Não estão necessariamente em ordem de importância:

  1. Reforma da Igrejinha
  2. Viveiro de mudas
  3. Amorim e Dona Nena assinaram contrato que faltava
  4. Fiação subterrânea entre casa e quiosque
  5. Nova máquina de cortar grama
  6. Novo chiqueiro maior ao pé do bambuzal
  7. Poço de água para o chiqueiro
  8. Reveillon agitado
  9. Celular rural
  10. Nova roça de milho muito maior
  11. Reforma da cerca na divisa com Seu Vicente

Reveillon? Isso mesmo. É preciso deixar registrado que essa festa foi um acontecimento que nos trouxe muito orgulho. Hoje pode até parecer meio sem importância, mas vamos sentir muita falta no futuro, se acabar. De novo, a necessidade de dar valor às pequenas coisas do dia de hoje.

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03 maio 2008

Feriado dia do Trabalho, Casamento da Josi

Final de semana prolongado, feriado dia do trabalho, muita chuva na sexta-feira, sábado amanheceu com um solzinho esquentando devagar mas que ficou bem forte no final do dia. Frio à noite em Aparecida, encurtamos o final de semana no sítio para prestigiar nossa grande amiga - minha prima - Josimara que se casou com Oscar na Igreja de Santa Luzia. Veja algumas fotos (clique sobre a foto e veja mais).

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E a festa rolou animada até altas horas (veja o vídeo).

06 abril 2008

Fazendo lingüiça e chouriço, a nova cerca do Beleza

Final de semana agitado, vieram o Jair e o Dirceu, mataram a porcona levada da breca que comia galinhas e acabou virando lingüiça e chouriço. Como diz o Jair, um porco, por maior que seja, cabe dentro da própria tripa. Interessante!

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Veja o vídeo da lingüiça.

Preto, de férias, aproveitou e se divertiu renovando a nossa cerca da divisa com o Seu Vicente.

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24 março 2008

A praia do Jacuí

Choveu forte de novo, o rio encheu, extravasou e formou uma bela praia na margem. De passagem pelo local, a TV Vanguarda entrevistou um morador do local, o Sr. Guilhermino, também conhecido como "Preto" ou "Diaba-Diaba" ou simplesmente "Pretinho".
Clique e veja a entrevista.

E não deu outra, como ainda tinha muito barro no caminho, colocamos a corrente no pneu e fizemos pelo menos umas 2 viagens (clique nas fotos e veja).

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02 março 2008

Domingo cedo, branco de neblina, 19 graus

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Acordei umas 6 e meia e não dormi mais. Na cama, revirando pensamentos, resolvi me levantar antes das 7. Água fervendo para o café, portas e janelas abertas, lá fora um friozinho de 19 graus, tudo molhado e branco de neblina. Lá e cá um frango gorjeando baixinho, cachorros tremendo de frio. Mili e Neli nem quiseram sair do quarto quentinho. Ficando bem quieto dá até prá ouvir um e outro roncando enquanto dorme serenamente.

Vejo no blackberry os últimos emails sincronizados ainda na sexta-feira, a bateria está fraca e não consegue mais se conectar ali na varanda. Coloco prá carregar ali na tomada embaixo dos santinhos do oratório. Lembro do celular e faço planos de dar um pulo ali na esquina prá ver se tem algum recado já que o carro anunciado na Internet tem meu número para contato. Farei isso depois.

Ao levantar peguei um livro que parei de ler já há algum tempo. É que é um livro sobre assuntos profissionais mostrando um novo ponto de vista de RH que diz que as pessoas devem investigar naquilo em que são boas e não, como se pensava, naquilo em que são mais fracas. Como é um livro que é praticamente um serviço, desde as férias que parei de ler. Queria ler algo mais tranquilo e gostoso. Li o que tinha e, desde então, não li mais nada.

Ontem aproveitei uma parte do anoitecer para escolher mais músicas para a playlist "Café no Sítio". Até hoje só havia selecionado umas 10. Agora já tem 56 o que acabou ficando uma mistura meio eclética mas só de nacionais. Com o tempo vou refinando.

A água ferveu e o vapor quente começou a sair pelo bico do bule. Esse não é daqueles que assoviam para avisar a gente, mas vendo o vapor saindo nervoso pelo bico deu para ver na hora que já estava na hora de continuar. Para fazer um café bem forte como o que a Teresinha fêz ontem, coloquei 5 colheres de pó, mandei bala e parece que deu certo. Ontem, no final do dia, cansado ou "demolido da lida" como diz o Paulinho Mixaria numa de suas piadas, a Teresinha fêz um café daqueles perfeitos de forte. Sentamos aqui na varanda e apreciamos como é gostoso de se fazer de uma das  melhores maneiras: todo mundo sentado em volta da mesinha jogando conversa fora enquanto anoitecia devagarinho. A varanda, com 2 lâmpadas queimadas, foi meio que escurecendo também acompanhando o crepúsculo no horizonte junto com as primeiras estrelas que nasciam. Era para ter trocado as lâmpadas, mas com aquele clima gostoso, achei melhor deixar para amanhã e foi muito bom. Nem a TV estava ligada. Coloquei uma música no ipod e a conversa foi até a hora da novela.

Café bom mesmo é quando está bem forte, quente, arrumadinho na garrafa e já adoçado que é para não dar trabalho de pegar e tomar. Aproveitei o bom humor de hoje e adocei com açúcar, provando numa xícara para ficar no ponto. Foi a primeira vez que eu mesmo adocei o café antes de colocar na garrafa. Todo mundo adoça. Aqui e lá na casa da Dona Rosinha. Eu até gosto de tomar com adoçante e, por isso, vi que algumas pessoas deixavam o café amargo, talvez, para me agradar. Hoje, de bom humor é claro, resolvi eu agradar as pessoas e fiz como todos gostam. Aliás, isso está sendo bom para mim também já que anda dizendo que adoçante está engordando as pessoas. De bem com a vida, dá vontade mesmo é de tomar café adoçado com açúcar.

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Oito e meia e o sol, de repente, encontra seu caminho por entre a bruma branca e vai rasgando o horizonte dourando o morro coberto de braquiara. Luzia e Jéssica se levantam e vem caminhando devagarinho pela casa como que para não fazer muito barulho e não acordar os outros que ainda estão dormindo. Lá embaixo na estrada vem um cavaleiro descendo o morrote num trote bem preguiçoso, parece o Lali, veste roupa como as do Lali, meio bonachão como o Lali e monta um cavalo parecido com um dos cavalos do Lali. Vem descendo, vai se aproximando da porteira, vai passando direto pela estrada e só então a gente vê que não é o Lali. É o João, irmão do Lali. Tudo bem se confundir. Dessa distância e com a luz ofuscante desse sol da manhã, seja o João, fosse o pai dele ou mesmo o Preto, a gente sempre confunde. Outro dia, de carro na estrada já no lusco-fusco do cair da noite, vinha um deles a cavalo ali perto do Vardão e eu jurei que era o Lali. Era o pai dele. Igualzinho.

Hoje tem pássaro preto cantando com vigor bem ali em frente nas araucárias. Como estamos longe de Setembro que é a época dos acasamentos, não sei o significado. Só sei que hoje eles resolveram sair do bambuzal e se aproximar mais. Normalmente nessa época eles continuam voando e cantando pelas redondezas. Seu canto é bem característico e é um dos poucos que já consigo identificar com facilidade. Junto com o canto onipresente do tico-tico é o mais bonito da região.

Nessa época a grama cresce todo dia e o tempo todo. Gosto de brincar dizendo que se a gente acordar bem cedo, antes do sol nascer, aproximar o ouvido do chão e ficar bem quieto, dá para ouvir o farfalhar das folhas da grama espichando. É quase isso mesmo. Aqui em volta da casa, o Pedrão tem feito um bom trabalho e deixado a grama bem aparada. Mesmo com a velha máquina elétrica, que anda precisando de uma boa manutenção, ele tem conseguido manter o entorno da casa limpo e aparado.
Quem gosta são os frangos. A gente se senta à varanda para tomar café com pão ou biscoito e alguns dos frangos logo vêm para ver se conseguem uns pedacinhos. Olho lá adiante na direção da porteira e vejo doi franguinhos ainda pequenos se estranhando em posição de briga de galo. Um é filho do Fred, o outro é filho do Vermelho, os dois galos concorrentes do terreiro. Outro dia escrevi que frangos de pais diferentes têm ficado amigos, mas a gente sabe que nem todos. E os filhos do Fred estão crescendo bem rápido e ficando portentosos e bonitos como o pai que é branco e marrom. Uns são mais brancos e outros mais amarronzados. Pena que não podemos ter mais galos no terreiro, assim poderíamos deixar um ou outro crescer e enriquecer o local...

25 fevereiro 2008

24 fevereiro 2008

Filhos de galos concorrentes ficam amigos

Um é filho do Fred e o outro é filho do Vermelho, o galo do terreiro. Os galos são concorrentes, mas os filhos ficaram amigos.

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Chove o tempo todo mas o espírito está legal

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Décimo oitavo dia da quaresma e chove todo dia. Agora mesmo lá fora cai uma garoa fina e fria deixando tudo muito cinzento e, dependendo do estado de espírito, muito triste. Sinto que esse tempo, essa garoa, esse friozinho, certamente vai interferir no clima da minha escrita, mas tudo bem, isso acontece sempre mesmo né, é praticamente impossível não destilar o estado de espírito naquilo que se escreve.

"Yesterday, all my troubles seem so far way...", canta Zezé di Camargo ali no ipod e as notas ecoam pelo local penetrando o interior das araucárias, descendo pelo brejo, flanando pelos piris, atravessando a cerca e varrendo o verde molhado, frio e cinzento do pasto.

Acabamos de almoçar, Luzia, sempre disposta para esse tipo de coisa, desde cedo saiu atrá de um frango caipira, limpou, preparou e caprichou num almoço bem gostoso. Uma verdadeira dádiva para nós quando a Luzia vem conosco e cuida dessas coisas todas prá nós. Acorda cedo, faz café, pega hortaliças na horta, faz um frango e, como se não bastasse, lava toda a louça, limpa o fogão e a cozinha. A gente almoça, repete o prato, conversa um pouco, coloca a louça na pia e sai de fininho meio desenxabido por saber que a Luzia vai ficar lá, arrumar as coisas que sobraram cuidadosamente nos potinhos e cuidar de todo o resto prá nós. A gente, depois de se fartar com o frango delicioso, pode sair de mansinho, escovar os dentes e tirar uma soneca no quarto. Lá pelas tantas, certamente a Luzia também vai descer e quem sabe tirar uma soneça também ou, como acontece às vezes, nem vari dormir nada, vai pegar a vara, arrancar umas minhocas e vai para a beira do lago pescar um pouco. No fim da tarde, com a luz já um tanto diminuída, a gente vai acordar com os olhos cozidos e o corpo preguiçoso, sair na varanda e a Luzia ainda estará lá na beira do lago, se divertindo com peixes pequenos que não a deixarão pegar os maiores com facilidade. No final de tudo, ela ainda vai conseguir trazer um outro maiorzinho, limpar e juntar com os outros no congelador. Um dia desses qualquer, quando o sol estiver bem quente, ela vai se lembrar das tilápias e propor uma fritada de peixes com cerveja. Aí a gente vai se sentar lá no quiosque, colocar um som, ela ou a Isabel vão fritar os peixes e a gente vai se regalar acompanhados de uma cervejinha bem gelada.
Mas Luzia só vai acompanhar na cerveja depois da quaresma, já que está de penitência.

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Hoje instalei o aparelho receptor da parabólica para o Pedrão. Desde que trocamos o receptor na parabólica o aparelho velho dele não funcionou mais. Aí fiz uma ligação direta e ele não tinha como trocar de canal e, para fazer isso, tinha que abrir a casa e trocar no nosso receptor da sala. Agora não precisa mais. Pena que não entrou a Globo no número 1, mas ainda vou resolver isso.

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Jéssica não almoçou conosco hoje, saiu à cavalo e foi à casa da tia Nete almoçar com a Michele e isso foi muito bom. De vez em quando a gente precisa mesmo sair, dar uma voltinha e visitar os amigos, uma coisa que a gente achou que fosse fazer bastante quando viesse para cá e acabou não acontecendo por um monte de razões. Mas não podemos perder as esperanças.

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O pé de araçá na porta da cozinha está carregado de araçás madurinhos. Ele segue o mesmo rítmo das goiabeiras que estão todas carregadas também.

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23 fevereiro 2008

Um final de semana sossegadinho...

Estamos no décimo sétimo dia da Quaresma, quase no finalzinho do mês de Fevereiro. Os dias ainda estão quentes mas tem chovido quase todo dia à tarde e começo da noite. Agora mesmo cai uma chuva torrencial lá fora. Hoje o dia esteve nublado com apenas algumas nesgas de sol mas com calor de uns 27 graus convidativo para um par de cervejas na varanda sossegadinho como diria o Rodrigo da Nilra.

Ontem à noite, a lua apareceu devagarinho no horizonte por detrás dos morros e nos brindou com uma paisagem noturna quase surreal.

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As araucárias estão carregadas de pinhas mas algumas caíram ainda verde com a ventania forte de um desses dias de chuva. Andando pelo local, notei uma revoada de maritacas passando bem alto pela manhã, talvez conferindo o grau de amadurecimento das pinhas. Algum tempo antes, de vez em quando, passava uma ou duas apenas. Deviam ser os soldados de reconhecimento. Agora que as pinhas já estão num estágio mais avançado de amadurecimento, elas passam numa turma maior, talvez o o bando todo de 15 a 20 maritacas já anunciando a algazarra que está por vir. Mais alguns dias e vão começar a pousar nas copas e começar a beliscar as pinhas. Na semana santa é o auge do amadurecimento dos pinhões mas, esse ano, nem estou mais com aquela expectativa toda de colher pinhões para comer. Ano passado as maritacas ganharam de nós de 10 a zero. Nem adiantaram os foguetes. Melhor mesmo deixar tudo para elas.

Hoje acordei bem cedo logo depois das 6 da manhã, 7 horas já estava de pé e fazendo um café. Parece coisa de transtorno bipolar, acordei inspirado, cheio de vontade de fazer um montão de coisas e fiz mesmo. Nem dormi depois do almoço.

Ao acordar pela manhã aqui no sítio temos uma oportunidade toda especial de executar um ritual bem característico. Abrir a porta da sala, porta da cozinha, janelas da sala, afastar as cortinas da cozinha, abrir a janela. Ainda mais que agora todas as portas e janelas estão abrindo sem esfregar no chão, depois que ajustei todas com a plaina elétrica, ficou bem melhor. A gente vai abrindo as portas e janelas bem devagar, sem fazer barulho, para não acordar os que ainda estão dormindo, principalmente a Isabel. Abrir o portão da varanda e da porta da cozinha também é importante para deixar a Mili e a Neli saírem para suas necessidades matinais. Se vacilar, a Neli faz xixi no chão da sala ou do corredor. Safadinha essa Nelinha.

Tem um bule pequeno muito bom de esquentar água para o café. A gente coloca no fogo com a tampa e isso ajuda a água a ferver mais rapidamente. Café bom no coador de pano exige pelo menos umas 4 colheres bem cheias de pó. Aí tem um outro bule para aparar o café que, no final, vai dar certinho para encher a garrafa térmica amarela. Para até 6 pessoas aqui a garafa amarela dá certinho. Se tiver mais gente, temos que usar outras medidas.

Portas e janelas abertas, café pronto, eu sempre gosto de colocar uma seleção de músicas do ipod no aparelho de som. Hoje, mais inspirado, coloquei o aparelho na varanda e toquei a playlist "café no sítio1" que ainda não está completa mas está ficando boa. Café quente, pão doce de côco, e os passarinhos cantando nas árvores em volta. Ditinha e Bolinha logo aparecem para me dar bom dia e serrar um pedacinho de pão. Fred, um dos galos quase sempre também aparece porque está se acostumando a ganhar uns pedaços de pão ou de biscoito. O galo vermelho, o principal do terreiro, tem aparecido também para disputar umas migalhas e espaventar com Fred do local.

Assim tranquilo pela manhã, com a ansiedade baixa, as expectativas sob controle, sem rusgas recentes prá incomodar, esse é um dos rituais mais prazerosos do lugar.

Depois vêm os afazeres relaxantes, principalmente porque a gente nem lembra e nem tem como entrar na Internet.

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Para ajudar na tranquilidade do dia de hoje, até a Jéssica está de bom humor e num de seus dias de menina adorável que tira e limpa a mesa do café, lava a louça, varre e deixa a cozinha limpinha, do jeito que a gente gostaria que fosse todos os dias sempre, mesmo sabendo que ninguém é de ferro.

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Como estive fora 2 semanas, os passarinhos ficaram sem alpiste. Aproveitei a boa vontade da manhã e até fiz um serviço mais completo lavando as vasilhas com escova e sabão. Mais à tarde resolvi tentar dar um jeito nas pombinhas e rolinhas que têm comido todo o alpiste e prejudicado os menores como os canarinhos, bigoginhos e coleirinhas. Usei uns pedaços da tela de plástico que estava cercando a varanda e circundei nas gaiolas não deixando espaço para os pássaros maiores entrarem. Agora tenho que vigiar para ver se os menores vão conseguir passar pelos buracos. Se der certo, a partir de agora eles vão ter alpiste reservado só para eles. Nem por isso os maiores ficaram sem opção, eles continuam podendo comer nos outros comedores abertos.

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Há duas semanas nós pegamos várias mudas de flôres e árvores na prefeitura de Cunha e plantamos na beira do gramado em volta da casa e no pomar. Mesmo com tanta chuva e vento todas essas tardes e noites, hoje notei que todas as mudas pegaram e parece que estão gostando do local. Uma das roseiras novas, ainda pequenin, até nos presentou com uma bonita rosinha depois desses poucos dias.

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Despois de muito tempo, hoje estive batendo um papo com o Evaldo que passou por aqui de manhã com o Oscar quando foram dar uma arrumada na estrada na subida do Amorim. Ele veio ontem à noite depois da gente e caiu na valeta que formou no meio do caminho. Por sorte não ficou atolado. Eu tinha caído lá também, mas com a caminhonete foi mais fácil passar. Hoje resolveram tampar a valeta do meio do caminho. Aproveitamos a ocasião para um bate-papo e para combinar uma parceria para comprar umas manilhas para resolver de uma vez o problema da valeta lateral daquele morrote. Vamos comprar as 40 meia manilhas e procurar ajuda na prefeitura para conseguir uns caminhões de pedras para melhorar a subida. Nessa época de chuvarada todo dia, esse tem sido o pior trecho da estrada da Estiva para chegar e sair daqui.

17 fevereiro 2008

... e os peixes da enchente não apareceram dessa vez

O rio encheu, transbordou e criou várias lagoas nos rebaixos do pasto. Como já tinha acontecido outras vezes, a gente cismou que peixes também viriam com as águas da cheia. Armamos a rede, chafurdamos a água com os cavalos, esperamos e nada. Não foi dessa vez.

Pelo menos nos divertimos andando à cavalo nas lagoas. Isso é que é tração nas 4 rodas, ops, 4 patas!!

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Fotos aqui.